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Coma Este Livro 02 – O Vale dos Ossos Secos

Texto:Dannilo Cerqueira
Narrador:Dannilo Cerqueira
Arte da Capa: Alexandre Kapteinat
Edição e Sonorização: Dannilo Cerqueira
Duração: aprox. 06 min.

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Há muitos anos, havia um homem com uma grande responsabilidade. Ele era o único que poderia portar uma importante mensagem, a qual traria paz e prosperidade, ou morte e angustia.

Tudo começou em uma noite, muito escura. Ele acordou em um lugar estranho, sombrio; Mesmo com aquela enorme lua cheia e amarelada, era difícil ver direito, por causa das nuvens no céu. O homem estava bem no meio de um imenso vale desolado. Um cheiro fétido lhe alcançava as narinas. A cada passo dado, ouvia um crepitar pouco familiar. Parecia estar pisando em pedras e galhos, mas havia algo diferente. Com o tempo passando, seus olhos foram se acostumando com a escuridão. Só então que percebeu, com o dissipar das nuvens, que não eram paus e pedras, mas sim em um gigantesco cemitério a céu aberto.

Todo aquele vasto vale, rodeado por uma asquerosa cordilheira, estava repleto de ossos. Desde onde estava até o mais longe que seus olhos podiam enxergar, tudo o que via eram ossos. Pensou que talvez ali outrora fora um campo de batalha, esquecido no tempo… “mas espera um instante”, pensou ele, “pela quantidade de ossos ali, pelo menos uma legião teria caído em batalha; talvez mais!” Pelo estado dos ossos, tão ressequidos, talvez estivessem lá há muito mais tempo que imaginara.

Enquanto se perdia em seus próprios pensamentos especulando o que talvez tivesse ocorrido, o sujeito sentia uma presença próximo a ele. Não estava sozinho ali. Após um rápido susto, isso realmente fazia sentido, afinal de contas, como teria ele chegado àquele lugar?

Antes que pudesse virar, uma voz firme e imponente, mas ao mesmo tempo muito familiar e suave, quase que num sussurro, lhe soou aos ouvidos:

– Filho de Iysh, poderiam esses ossos reviver?
– Eu não poderia saber disso. – respondeu o homem.
Foi então que a voz replicou: – Ordene em alto som aquilo que eu lhe falar.
E o homem, tomado por um frio que lhe subia a espinha disse em alto som:
– Eis que Aquele que Vos Fala lhes trará de volta à vida mais uma vez.
Imediatamente, após as palavras terem sido proferidas, um ruído aos poucos começou a

ser produzido. Em seguida, os ossos começaram a tremer e, espontaneamente, sem fios, cordas, ou mãos, estavam se mexendo. Todo o vale estava tremendo. Os olhos daquele homem que ali estava ficaram pasmos; ele estava assustado com o que presenciava. O som produzido começou baixo, mas em segundos já estava ensurdecedor. Os ossos começaram a se juntar; articular; surgiram nervos, veias, artérias; músculos afloravam, enquanto as vísceras também apareciam, se entrelaçando, sobrepostos, por fim, com pele e pêlos. Como num bater de palmas, todos estavam formados, porém inertes, estáticos. Então, mais uma vez, a voz inexplicável fala ao homem que pronunciasse suas ordens.

– Ó, espírito, –começou a repetir – vem dos quatro ventos e assopra sobre estes cadáveres para que vivam outra vez. – obedeceu o indivíduo, enquanto assistia boquiaberto o acontecimento.

Antes mesmo de terminar de falar, sentiu uma brisa soprar. O vento foi ficando cada vez mais forte, vindo de todos os lados do vale, alcançando todos os corpos. Logo que os ventos tempestuosos passaram, legiões puseram-se de pé; um grande exército.

Logo todos estavam de pé, começaram a murmurar em côro:
– Nossos ossos secaram; nossa esperança mirrou; estamos aniquilados! Enquanto eles reclamavam e queixavam-se, mais uma vez a suave voz ordenou;

– Ó, amado povo, eis que abrirei vossas sepulturas! Eu mesmo vos farei sair dos vossos túmulos e vos conduzirei de volta à vossa terra natal. E no dia em que Eu vos libertar do vosso lugar de morte e vos fizer sair, compreendereis que Eu Sou Yahweh, o Senhor Deus, ó povo meu! E derramarei dentro de cada um de vós o meu espírito, e vivereis. Palavra do Eterno.

E Ezequiel entendeu a mensagem de Deus para seu povo. O mensageiro de Deus, o profeta tinha uma missão!

Ezequiel, do hebraíco “Deus fortalece”, foi um dos profetas que presenciaram a queda do reino de Israel nas mãos dos babilônicos, junto com Jeremias, Daniel e seus amigos. De linhagem sacerdotal, iniciou sua carreira como profeta após 5 anos de exílio, tendo um foco principal no juízo e restauração, fundamentos referentes ao dia da expiação.

Em seus escritos, o profeta tinha um estilo pesado, repetitivo e bastante detalhado, características comum aos sacerdotes. Porém, como diferencial, ele remete muito a descrições do apocalipse e da segunda vinda do Salvador de Israel, da expiação dos pecados e da ressurreição.

Sua vida e obra tem bastante consonância com a forma como Cristo viveu aqui na terra, pois os dois iniciaram seus ministérios com idade de 30 anos, utilizaram alguns termos parecidos (como por exemplo Filho do homem), usavam parábolas como uma forma de comunicação e transmissão da mensagem, desempenham um ofício sacerdotal, falavam sobre a ressurreição escatológica e um ministério de intercessão.

O Vale dos ossos secos

Em sua terceira visão, Ezequiel escreveu:

“Veio sobre mim a mão do Senhor; e ele me levou no Espírito do Senhor, e me pôs no meio do vale que estava cheio de ossos…” (Ezequiel: 37. 1).

Ali começa uma das mais conhecidas visões do profeta, seja por sua preocupação com os detalhes que dão um tom até de horror, ou pela incrível mensagem que ela nos passa.

Nela, a mensagem passada é de esperança e juizo para uma casa de Israel que estava exilada e espiritualmente morta, para os que deixaram os caminhos do Senhor. O fôlego de Deus novamente traz vida às pessoas e ressucita uma nação antes morta para Deus, devolvendo a eles a sua terra e por consequência a glória antiga se ser a nação do Deus único. Não só uma palavra de esperança para as pessoas que viviam aquele momento, a alusão à renovação de Israel estava vindo muito mais a frente, numa segunda vinda de Cristo e na total renovação de toda raça humana. A segunda ressurreição é uma promessa de Cristo em parte do seu ministério, como o objetivo de se viver ao seu lado, dentro dos seus caminhos.

A Ezequiel foi dada a incumbência de pregar àqueles ossos secos e levar-lhes a promessa de renovação. Isso de princípio pode ser estranho ao profeta, visto que ele estava num lugar de morte e esquecimento. Mas a ordem de Deus foi direta: “Profetiza a estes ossos…” (V. 4) e assim ele o fez, lançou a palavra do senhor sobre os ossos que não podiam ouvir, nem responder e ainda durante a pregação houve ruído, então aqueles ossos se uniram e os que estavam antes mortos viraram corpo de carne, mas ainda sem espírito.

Quando Deus criou o primeiro homem, fez o corpo do barro e do seu sopro veio o espírito, e o homem se fez alma vivente. Faltava algo no corpo, e Deus não deixaria isso passar. Ezequiel recebeu outra ordem: “Prega ao espírito…”. E assim veio o espírito sobre aqueles corpos, e entrou neles os tornando vivos, e agora um exército numeroso.

Aqui vemos, com certeza, o fim dos tempos escatológico e mortos revividos sendo transformados pelo espírito do Senhor, que agora teriam vida naquele momento, portanto, num futuro próximo, teriam a vida eterna.

A Visão de Ezequiel sobre o Vale dos ossos secos é um relato do que acontecerá àqueles que não se deixarão levar pelo mundo e saberão ali que O SENHOR É DEUS.

• Gabriel Vitor

2016-11-06T18:20:55+00:00