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Coma Este Livro 02 – O Vale dos Ossos Secos

Texto: Arthur Kapteinat
Narrador: Arthur Kapteinat
Arte da Capa: Alexandre Kapteinat
Edição e Sonorização: Dannilo Cerqueira
Duração: aprox. 06 min.

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Eu sempre gostei de histórias de aventura e espionagem, desses agentes secretos que parecem saber fazer de tudo um pouco. Sorrateiros, hábeis, conseguem se infiltrar em lugares que outras pessoas jamais chegariam e, muitas vezes, sozinhos são mais perigosos e eficientes do que muitos exércitos.

Conta-se a seguinte história: O cenário era de guerra, fome e exploração. Os mais velhos se lembravam dos tempos de prosperidade, das grandes vitórias do passado, de como eles haviam conquistado aquele vale e lamentavam a maneira com que seu povo havia caído em tamanha desgraça. Os jovens, por sua vez, se perguntavam até quando seriam oprimidos e temiam por seu futuro.

A Cidade das Palmeiras, um símbolo das glórias de outrora, havia sido tomada pelos inimigos que vieram do outro lado do rio. Agora eles viviam sob o julgo do obeso e tirano rei adversário, que lhes extorquia cobrando pesados tributos.

Mas é aí que surge um herói completamente improvável e fora de todos os padrões da época. Nos diz a história que ele era canhoto e os canhotos, naquele tempo, eram vistos como deficientes e desprezados pela sociedade.

Chegado o momento de pagar os tributos ele foi o escolhido para levar o pagamento ao Rei. Foi então que pensou em um plano ardiloso e extremamente arriscado, mas que tinha alguma chance de dar certo.

Sendo assim, ele começou a se preparar de forma meticulosa. Foi até a forja e confeccionou para si uma pequena espada de dois gumes, mais ou menos do tamanho do seu antebraço. Essa espada era leve e curta o suficiente para ficar oculta por baixo de sua roupa.

O plano era muito ousado, pois ele sabia que seria revistado quando chegasse ao palácio. Mesmo assim, ele precisava tentar e colocando sua vida em risco, utilizou o que para a maioria era um “defeito” a seu favor.

As espadas geralmente eram levadas no lado esquerdo do corpo, onde os destros podiam rapidamente sacá-las e utilizá-las caso necessário. Sendo canhoto, escondeu sua arma por baixo de suas vestes, sob a sua coxa direita, pois sabia que esse seria o lugar menos provável de os guardas procurarem.

Então, partiu com uma caravana levando os tributos do povo para a corte. Chegando lá, entregou-os aos responsáveis. No entanto, quando a

caravana voltou, ele não voltou junto, permaneceu ali na corte. E pediu uma audiência particular com o rei para poder lhe entregar uma mensagem secreta.

O rei permitiu sua presença. Talvez tivesse ficado curioso em saber do que se tratava a misteriosa mensagem, ou apenas pensasse que um rapaz sozinho não representaria qualquer ameaça. Após ser revistado pela guarda real, Eúde se dirigiu ao quarto de verão do rei, que ficava no terraço.

A sós com o tirano, Eúde não perdeu tempo, rápido como um raio sacou sua espada e sem pestanejar, a enfiou inteira na barriga do rei, de forma que até o cabo foi encoberto pela gordura do rei obeso.

Em seguida, bem depressa, mas com tranquilidade, trancou as portas do quarto e saiu pela janela, passando escondido, de forma sorrateira por toda a guarda e fugindo. Os guardas não suspeitaram de nada e demoraram a perceber o que havia ocorrido.

Enquanto isso, Eúde reuniu os homens de Israel e atacou os moabitas, que sem rei, surpreendidos e atordoados foram completamente derrotados. Assim, com muita bravura, ousadia e com um plano incrível ele libertou o seu povo da opressão e o liderou por oitenta anos de paz.

[Jz. 3:12-30]

Personagem: Eúde

Nasceu durante os últimos anos de peregrinação pelo deserto ou nos primeiros anos de Israel na Terra Prometida.

  •  Filho de Gera
  •  Benjamita
  • Segundo Juiz de Israel

Contexto

Os moabitas habitavam a leste do mar Morto. O rei Balaque de Moabe e seus aliados midianitas haviam tentado, sem êxito, destruir Israel (Nm. 22-25), e Israel havia punido Midiã (Nm. 31). Desta vez, Eglom derrotou os israelitas com uma coalisão entre os moabitas, amonitas e amalequitas (Jz. 3:13), a quem eles haviam vencido no passado (Ex. 17). Portanto, os israelitas infiéis caíram nas mãos de velhos inimigos, que nutriam grande rancor contra eles.

Curiosidades

  •  A expressão hebraica traduzida por canhoto se refere literalmente a uma deficiência em relação à mão direita. O irônico é que não se esperava isso de alguém da tribo de Benjamin, cujo nome significa “Filho da mão direita”.
  •  O nome “Eglom” significa “pequeno bezerro”. No entanto, era óbvio que o bezerro havia crescido. Mais tarde, os Israelitas que ouviam a história a conheciam como “a morte do bezerro cevado”.
2016-11-06T18:20:55+00:00